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Design de ServicoCRMBase de ConhecimentoCXGovernanca

Base de Conhecimento + CRM no EAD

Role: Designer de Servicos & Estrategista Operacional

Periodo: 2021

Plataforma: Zendesk + Base de Conhecimento

Escala: EAD Laureate Universities / Anima Educacao

CSAT

2.0

Antes

4.9

Depois

~70 dias do diagnostico a primeira versao

Contexto

Em 2021, o EAD da Laureate Universities Inc. vivia um momento decisivo de transformacao. A vertical avancava para um modelo 100% digital, abandonando gradualmente o legado hibrido que ainda exigia percentuais de presencialidade. Esse movimento nao era apenas tecnologico ou pedagogico — ele exigia uma reconfiguracao profunda dos processos, da operacao e da forma como o servico se sustentava em escala.

Internamente, o EAD operava com forte espirito de startup: rapido, agressivo em crescimento, orientado a metas de curto prazo. Esse modelo havia funcionado ate certo ponto. No entanto, com a transicao para a Anima Educacao, tornou-se evidente que a vertical precisaria se consolidar como uma unidade de negocio madura, nao apenas em faturamento, mas principalmente em processos, governanca e previsibilidade operacional.

Nesse cenario, a area de atendimento — CX, CS, central do candidato e central do aluno — tornou-se o ponto de maior tensao do sistema.

O Problema Estrutural

O desafio nao era a ausencia de sistemas, nem a falta de esforco humano. O problema era escala sem maturidade de suporte.

Os sintomas eram claros:

  • Alto volume de chamados, especialmente em periodos criticos como Black Friday e campanhas de captacao.
  • Acoes recorrentes de forca-tarefa, salas de guerra e mobilizacao emergencial de multiplas equipes.
  • Contratacoes temporarias frequentes, com baixo tempo de treinamento e alto risco de erro.
  • Retrabalho constante, escalonamentos excessivos e desgaste emocional das equipes.

O conhecimento necessario para operar o servico nao estava no sistema. Ele vivia:

  • Na cabeca de alguns especialistas.
  • Em e-mails dispersos.
  • Em documentos soltos, pouco versionados e raramente auditaveis.

O resultado era um ambiente caotico, injusto com o atendente recem-contratado — jogado diretamente na linha de frente — e frustrante para o aluno, que frequentemente precisava abrir o mesmo chamado varias vezes para obter uma resposta clara.

Mais grave ainda: erros operacionais comecaram a gerar impactos reputacionais reais, expondo a fragilidade do modelo vigente.

Riscos Envolvidos

Os riscos eram explicitos e relevantes:

Risco reputacional

amplificado por canais externos como ouvidoria e Reclame Aqui.

Risco regulatorio

dada a constante atualizacao das regras do MEC.

Risco de colapso operacional

com a area de atendimento proxima do limite.

Risco estrategico

em que a ineficiencia do suporte colocava em xeque a viabilidade do EAD como vertical madura.

Esse nao era um problema isolado de CX. Era um problema sistemico.

Origem da Iniciativa

A demanda partiu diretamente da equipe de CX para a gerencia de TI. A expectativa inicial era resolver a sobrecarga operacional.

A partir de um brainstorming estruturado, propus uma solucao baseada em um modelo que eu ja havia implantado com sucesso no CSC de RH da Laureate, utilizando Zendesk: uma base de conhecimento robusta, integrada a um CRM operado como ferramenta de gestao — nao apenas de registro.

Naquele momento, solucoes de IA conversacional:

  • xTinham alto custo de implantacao.
  • xExigiam competencias tecnicas que a organizacao nao possuia internamente.
  • xGeravam resistencia cultural, especialmente por receio de substituicao de pessoas.

A base de conhecimento, por outro lado, era:

  • Mais auditavel.
  • Mais transparente.
  • Mais rapida de estruturar com governanca.
  • Mais adequada ao contexto cultural da organizacao naquele momento.

Meu Papel

Atuei como designer de servicos, estrategista operacional e mediador entre areas.

  • Traduzir necessidades tecnicas, regulatorias e academicas em fluxos compreensiveis.
  • Desenhar a arquitetura do conhecimento.
  • Definir criterios de categorizacao e priorizacao.
  • Estabelecer regras claras, inclusive dizendo nao quando necessario.
  • Garantir alinhamento entre TI, CX, CS, areas academicas, regulacao e juridico.

Recebi autonomia total para conduzir o projeto, com apoio decisivo da lideranca direta.

Estrategia de Implementacao

O projeto levou cerca de 70 dias do diagnostico a primeira versao no ar, organizado em sprints e implantado em ondas.

A estrategia seguiu uma logica progressiva:

1. Organizacao Interna

  • Reestruturacao da categorizacao de chamados.
  • Definicao clara de esteiras de escalonamento.
  • Padronizacao do uso do CRM.

2. Construcao da Base de Conhecimento

Cada categoria critica deveria ter um artigo correspondente.

Os artigos explicavam:

  • O problema.
  • A solucao em autoatendimento (quando possivel).
  • Quando e como abrir um chamado.
  • SLA e expectativas claras.

3. Abertura Gradual para Alunos

  • A base passou a ser acessivel tanto para atendentes quanto para alunos.
  • Ambos consumiam o mesmo conteudo, reduzindo ruido e ambiguidade.

4. Governanca do Conhecimento

A producao de conteudo nao ficou centralizada. Os proprios atendentes e suas liderancas:

  • Criavam os artigos.
  • Atualizavam informacoes.
  • Participavam da curadoria continua.

Foram definidos criterios claros:

  • Viravam artigo temas recorrentes, criticos ou com impacto financeiro, regulatorio ou reputacional.
  • Demandas personalizadas nao viravam conteudo publico.
  • Artigos explicitavam quando regras eram impostas pelo MEC e quando eram decisoes institucionais.

Essa abordagem transformou o atendimento em um time mais maduro, consciente e seguro.

Evolucao do CRM

O CRM ja existia, mas era subutilizado. Ele evoluiu de ferramenta de registro para instrumento de gestao operacional:

  • Implantacao de SLA por tipo de demanda.
  • Registro de tempo de primeiro atendimento e tempo total de resolucao.
  • Criacao de historico unico de relacionamento por aluno.
  • Implantacao de CSAT.
  • Definicao de workflows claros e seguros.
  • Canal especifico para chamados criticos.
  • Acoes em massa com mecanismos de seguranca.

Uma das decisoes mais impopulares — e mais necessarias — foi a institucionalizacao do SLA e do CSAT. Houve resistencia cultural, mas o ganho em clareza e previsibilidade foi imediato.

Mudanca de Comportamento

Apos a implantacao, mudancas claras emergiram:

  • Atendentes passaram a consultar a base antes de responder.
  • Alunos chegavam ao atendimento mais informados.
  • Reducao significativa de chamados repetidos.
  • Queda expressiva de escalonamentos desnecessarios.
  • A area de TI passou a ocupar espaco mais estrategico nas discussoes de negocio.

O relacionamento entre areas deixou de ser reativo e passou a ser mais estruturado e colaborativo.

Resultados

Mesmo sem metricas completas preservadas, alguns impactos foram claros:

CSAT de 2 para 4.9

mantendo-se nesse patamar

Reducao de ruido operacional

menos escalonamentos e retrabalho

Melhoria da reputacao

nos canais externos

Atendimento previsivel

mais rapido e consistente

Menor dependencia

de contratacoes emergenciais

Mais do que numeros, o servico ganhou confiabilidade.

Aprendizados

Esse projeto consolidou aprendizados fundamentais:

Eficiencia operacional e tambem gestao de risco.

Governanca da informacao e pilar de design de servico.

Transparencia em prazo e regra gera confianca.

Modelar solucoes que ja funcionam e inteligencia, nao acomodacao.

Sistemas monoliticos resolvem rapido, mas cobram caro no longo prazo.

Hoje, eu utilizaria IA conversacional para acelerar compreensao. A epoca, a base de conhecimento foi a escolha mais etica, auditavel e sustentavel.

Este projeto nao foi apenas uma implantacao de CRM ou base de conhecimento. Foi uma reeducacao operacional, que elevou a maturidade do EAD e preparou o terreno para evolucoes futuras.

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